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Bipolar busca pessoas interessantes para amizade internética séria

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07
Dez18

Ser bipolar

Bipolar

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É com espanto e, ao mesmo tempo, agrado, que constato a multiplicidade de grupos do facebook que têm como objectivo o apoio a pessoas com o mais diverso tipo de questões, nomeadamente as que dizem respeito à doença mental. Fui um bipolar não diagnosticado durante muito tempo. Pensavam apenas que eu era um bocado instável, mas só eu e os anjinhos é que sabemos o quanto eu escondia de toda a gente muita coisa. Sim, isso eu desde cedo tive; a noção de que algo não estava bem. Nem sempre me apercebia logo, mas logo que me apercebia, corria a refugiar-me em sítios que eu considerava seguros. Quer nas crises depressivas, quer nas crises maníacas (mas sobretudo nas depressivas; sofro mais de hipomania, pelo que não é tão perceptível). Tive algum apoio de gente que fez esforço para me compreender, apoio esse que proavelmente me salvou a vida por algumas vezes. Tive problemas com álcool, mas sempre procurei desesperadamente não ferir ninguém com os meus problemas, algo que nem sempre consegui.

 

A minha formação em psicologia, contudo, fez-me suspeitar do que se poderia passar comigo e acabei a consultar especialistas que me deram o veredicto final. A primeira reacção, foi a revolta. Então eu não era apenas um rapaz instável? Então eu tinha uma doença crónica? Então e todo o esforço que eu havia feito até aí para me controlar? Sobretudo, para combater a depressão? E todas as pessoas que dedicaram o seu precioso tempo a tentar ajudar-me? Foi tudo em vão? Depois de encaixar a ideia nova, depois de resolver os conflitos interiores que a revelação originou, eu compreendi que não havia sido em vão. Seria certo que um problema que eu pensaria, à partida, poder resolver definitivamente, afinal assemelhava-se a algo estrutural, muito provavelmente até com tendências genéticas (eu tive uma infância tranquila e não me parece ter havido qualquer situação que potenciasse tal coisa). Afinal, ir-me-ia seguir até ao resto da vida, e eu achei isso muito injusto. No entanto, também compreendi tudo o que aprendi e cresci por causa deste problema.

 

Não quero que a doença me defina. Mas acaba a definir-me, sobretudo pelo bem. Não seria quem sou se não fosse esta doença. Não teria aprendido tudo o que aprendi sobre mim mesmo se não fosse esta doença. Não teria escolhido o curso que escolhi, não teria evoluído como ser humano tudo o que evoluí. Não seria hoje capaz de olhar para os outros com o nível de empatia com que consigo olhar, se não fosse ter-me sentido o último dos seres humanos durante tanto tempo.

 

Este blogue é, juntamente com outras coisas, o diário da minha bipolaridade. Porque, agora, preciso disso. E foi um pouco por causa dos grupos do facebook que comecei a sentir necessidade de escrever mais, quiçá, informar até quem me rodeia. Para que se perceba melhor, para que se desmistifique. E porque hoje compreendo tudo melhor, mas quero compreender ainda mais, porque quero dominar-me ainda mais. O meu grande objectivo de vida, actualmente, é mesmo o de conseguir deixar a medicação o que é, antes de mais, arriscado, pelo que exigirá, pelo menos, trabalho árduo... E mesmo assim posso, no fim do processo, ou mesmo no seu decorrer, descobrir ou compreender que não consigo viver sem medicamentos... Isso não será um desastre, mas por algum motivo gosto de mim o suficiente para querer viver comigo mesmo e não com uma versão obliterada...

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