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Bipolar busca pessoas interessantes para amizade internética séria

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12
Dez18

A gravidez e as mulheres que dizem que foi a melhor fase da sua vida

Bipolar

A minha mulher tem a teoria de que, pelo menos 75% das vezes que as mulheres dizem isto, não é bem assim. As mulheres sentem-se pressionadas, muita vez, para dizerem que se trata de um momento maravilhoso. Ou então, são mesmo as hormonas as responsáveis pela lavagem cerebral. Eu confesso-me inclinado a achar o mesmo. Sobretudo pela questão das hormonas, que quer durante a gravidez quer durante o parto, operam todo o tempo para levar ao esquecimento dos mal estares, numa tentativa da biologia para não desincentivar a preciosa manobra que é a reprodução da espécie. A minha mulher teve muitos enjoos, vomitou que nem uma possuída, mas manteve-se sempre bem disposta, tranquila, nada irritável. E do alto da sua placidez, questiona-se como é possível as hormonas terem um efeito cerebral tão poderoso que leve a que alguma mulher diga que se sente bem no meio disto tudo. O que é facto, é que temos falado com imensas mulheres que já passaram ou estão a passar pela gravidez e como a minha não é das que se calam, dou por mim constantemente a falar deste assunto com outras pessoas, conhecidas e desconhecidas. E o que é facto é que mesmo as que dizem que foi maravilhoso, dizem sempre algo do género "ah, mas inchei imenso no último mês", "ah, mas andava com a cabeça completamente atrapalhada", "ah, mas nos últimos meses quase não conseguia andar da pressão que ele/ela me fazia no corpo", etc., etc., etc.. E como pode isso integrar uma descrição do melhor momento da vida de alguém? Não deveria o melhor momento ser quando o bebé já está cá fora, afinal não seria isso que se pretendia com a gravidez?

 

A minha primeira mulher também é das que diz que foi a melhor fase da sua vida, apesar de todos os problemas que eu lhe trazia, mesmo durante a gravidez. Ela tinha de se preocupar mais com os meus próprios problemas, quer relacionados com a bipolaridade em si, quer do alcoolismo que desenvolvi como forma de fugir ao problema da bipolaridade. Nunca fui de bater em mulheres, nem sóbrio nem alcoolizado (a não ser que tenha de me defender por me agredirem - nunca me aconteceu, mas acontece a homens mais vezes do que possamos pensar). Não gosto de bater em pessoas, sejam elas homens ou mulheres, mas uma vez que as mulheres, por norma, têm menos testosterona e, por isso, menos massa muscular (tendência biológica mais que comprovada científicamente), creio que se torna mais cobarde esta segunda abordagem.  Mas não é preciso bater para infernizar a vida de uma pessoa. Quando me sentia deprimir intensamente, tinha a tendência a fugir, desaparecer. Na verdade, não conseguia falar com ninguém e a maioria das vezes ia simplesmente para o bar, beber. Entretanto, ela em casa a precisar da minha ajuda nas tarefas domésticas e aos mais diversos níveis, e eu sem lá estar. Chegava a casa tarde e a más horas, era capaz de lhe dizer as coisas mais belas do mundo e cair em cima da cama a dormir, roncando que nem um porco. No dia seguinte, voltava a estar indisponível, devido às dores de cabeça da ressaca, entre outros aspectos. O álcool nunca suscitou muito a minha irritabilidade, no que tenho sorte, pois sei que é esse o efeito que tem na maioria das pessoas. A verdade é que, se sendo assim tive muita dificuldade em perdoar-me, isso teria certamente sido bastante mais difícil se alguma vez tivesse batido na minha ex-mulher, a quem não posso apontar uma única falha durante toda a nossa relação (ralação). Ainda hoje estou para perceber como aguentou. E, no entanto, diz-me que qualquer uma das duas gravidezes foram dos melhores momentos da sua vida. Só posso concordar com a minha actual companheira, em como algo de estranho anda ali. Que a biologia lava mais a mente a umas que a outras e que perdem as que ficam mais lúcidas e se apercebem mais de tudo o que se está a passar. A gravidez é mais um aspecto que me leva a admirar as mulheres e a força de que necessitam para enfrentar tanto mal estar por um filho. A minha mulher actual teria até mais motivos para se congratular com a gravidez, pois não vomitou tão violentamente como a minha primeira mulher, não engordou tanto como ela, enfim. É certo que, pelo facto de se tratar de uma gravidez geriátrica, trouxe problemas mais graves, como a diabetes gestacional e a necessidade da realização de uma âmniosintese, aspectos que colocam maior pressão sobre uma gravidez por estarem mais proximas de levar a problemas mais sérios e complicações com a saúde do bebé. Mas parece-me que em termos de mal-estar generalizado, ela terá sofrido menos, mas tido mais a percepção desse mesmo sofrimento do que a minha primeira mulher e creio que isso se deve a motivos hormonais.

 

Já constatei que a blogosfera está mais povoada pelo sexo feminino do que pelo sexo masculino. Sei que os homens não costumam ter a facilidade nem o gosto em expressar-se por escrito que eu tenho, muito menos a necessidade de exorcizar fantasmas em público, como actualmente me acontece, ainda que de forma mais ou menos anónima (será que sou gay? ou bissexual? humm, não me parece, sou grande apreciador e admirador das qualidades femininas e acredito que os homens não lhes chegam aos pés). Mas fora de divagações: andando por aí tanta senhora, o que me diriam quanto a esta questão? A gravidez é um momento bom ou nem por isso? 

 

Não consegui colocar aqui o vídeo em que alguém famoso, chamado Jessica Athayde (não sabia quem era, a minha mulher é que me reencaminhou este vídeo), fala precisamente desta questão. E como gosto das parvoíces do Nuno Markl e ele está no vídeo até a dizer umas coisas que fazem sentido, resolvi deixar o link aqui.

 

07
Dez18

Ser bipolar

Bipolar

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É com espanto e, ao mesmo tempo, agrado, que constato a multiplicidade de grupos do facebook que têm como objectivo o apoio a pessoas com o mais diverso tipo de questões, nomeadamente as que dizem respeito à doença mental. Fui um bipolar não diagnosticado durante muito tempo. Pensavam apenas que eu era um bocado instável, mas só eu e os anjinhos é que sabemos o quanto eu escondia de toda a gente muita coisa. Sim, isso eu desde cedo tive; a noção de que algo não estava bem. Nem sempre me apercebia logo, mas logo que me apercebia, corria a refugiar-me em sítios que eu considerava seguros. Quer nas crises depressivas, quer nas crises maníacas (mas sobretudo nas depressivas; sofro mais de hipomania, pelo que não é tão perceptível). Tive algum apoio de gente que fez esforço para me compreender, apoio esse que proavelmente me salvou a vida por algumas vezes. Tive problemas com álcool, mas sempre procurei desesperadamente não ferir ninguém com os meus problemas, algo que nem sempre consegui.

 

A minha formação em psicologia, contudo, fez-me suspeitar do que se poderia passar comigo e acabei a consultar especialistas que me deram o veredicto final. A primeira reacção, foi a revolta. Então eu não era apenas um rapaz instável? Então eu tinha uma doença crónica? Então e todo o esforço que eu havia feito até aí para me controlar? Sobretudo, para combater a depressão? E todas as pessoas que dedicaram o seu precioso tempo a tentar ajudar-me? Foi tudo em vão? Depois de encaixar a ideia nova, depois de resolver os conflitos interiores que a revelação originou, eu compreendi que não havia sido em vão. Seria certo que um problema que eu pensaria, à partida, poder resolver definitivamente, afinal assemelhava-se a algo estrutural, muito provavelmente até com tendências genéticas (eu tive uma infância tranquila e não me parece ter havido qualquer situação que potenciasse tal coisa). Afinal, ir-me-ia seguir até ao resto da vida, e eu achei isso muito injusto. No entanto, também compreendi tudo o que aprendi e cresci por causa deste problema.

 

Não quero que a doença me defina. Mas acaba a definir-me, sobretudo pelo bem. Não seria quem sou se não fosse esta doença. Não teria aprendido tudo o que aprendi sobre mim mesmo se não fosse esta doença. Não teria escolhido o curso que escolhi, não teria evoluído como ser humano tudo o que evoluí. Não seria hoje capaz de olhar para os outros com o nível de empatia com que consigo olhar, se não fosse ter-me sentido o último dos seres humanos durante tanto tempo.

 

Este blogue é, juntamente com outras coisas, o diário da minha bipolaridade. Porque, agora, preciso disso. E foi um pouco por causa dos grupos do facebook que comecei a sentir necessidade de escrever mais, quiçá, informar até quem me rodeia. Para que se perceba melhor, para que se desmistifique. E porque hoje compreendo tudo melhor, mas quero compreender ainda mais, porque quero dominar-me ainda mais. O meu grande objectivo de vida, actualmente, é mesmo o de conseguir deixar a medicação o que é, antes de mais, arriscado, pelo que exigirá, pelo menos, trabalho árduo... E mesmo assim posso, no fim do processo, ou mesmo no seu decorrer, descobrir ou compreender que não consigo viver sem medicamentos... Isso não será um desastre, mas por algum motivo gosto de mim o suficiente para querer viver comigo mesmo e não com uma versão obliterada...

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